Desde criança, Jenny já sabia onde seu coração batia mais forte: no ronco de uma moto. Sentada no tanque de uma CG, ainda pequena, ela “pilotava” na imaginação enquanto o irmão guiava — ali nascia um sonho que levaria décadas para ganhar forma.
A vida, no entanto, seguiu outro caminho. Sem condições financeiras, enfrentando desafios desde o nascimento, trabalhando cedo, tornando-se mãe e construindo sua vida com esforço, Jenny adiou esse desejo por anos. Mas nunca o abandonou. Guardava o sonho como quem guarda um destino — comprou até o capacete antes mesmo de ter a moto.
Foi só aos 36 anos, depois de perdas, recomeços e uma separação, que ela decidiu que era a sua hora. Comprou sua primeira moto, depois a tão sonhada CG 125 — simples, usada, mas suficiente para mudar tudo.
Sozinha, com coragem e sem olhar para trás, Jenny encarou a estrada. O que era medo virou liberdade. O que era sonho virou movimento. Em pouco tempo, cruzou cidades, chegou a Goiânia e viveu um dos momentos mais marcantes da sua vida: pilotar dentro de um autódromo, cercada por motos que pareciam inalcançáveis — mas não mais para ela.
Hoje, a moto não é apenas um meio de transporte. É terapia, é recomeço, é identidade. “Ela é o meu remédio”, diz Jenny — a prova viva de que nunca é tarde para realizar um sonho.
Entre entregas durante a semana e viagens nos finais de semana, ela segue escrevendo sua história sobre duas rodas — com o vento no rosto, o sol nascendo à frente… e a certeza de que ainda há muitos caminhos a percorrer.