Algumas motos fazem história pelas grandes viagens.
Outras, pelas competições.
A moto de Dorival fez história simplesmente por nunca deixar de estar presente.
Apaixonado por mecânica desde criança, ele cresceu desmontando máquinas, aprendeu o ofício nas oficinas e transformou esse conhecimento no trabalho que sustentaria sua família por toda a vida.
A paixão pelas duas rodas sempre esteve ali. Ainda jovem, comprou sua primeira CG. Anos depois, quando já era mecânico e precisava de uma forma mais rápida de atender clientes, buscar peças e atravessar a cidade, voltou à concessionária Honda.
Em 1997, saiu de lá com uma CG Titan zero quilômetro.
Naquele momento, ela era apenas uma ferramenta de trabalho.
Mas ela acabou se tornando muito mais.
Foi com ela que atravessou cidades em busca de peças para manter a oficina funcionando. Foi nela que fez pequenas viagens para o litoral e para o interior, descobrindo que a liberdade também podia morar na simplicidade de uma motocicleta. Em uma dessas viagens, saiu de Indaiatuba rumo à Praia Grande e percorreu cerca de 180 quilômetros consumindo apenas quatro litros de gasolina. Uma lembrança que ele guarda até hoje para ilustrar o quanto a CG sempre entregou exatamente o que prometia: economia, confiança e eficiência.
Os anos passaram e a oficina cresceu.
A família cresceu.
A filha, ainda pequena, ganhou uma fotografia sentada sobre a moto. Décadas depois, já adulta, ela reproduziu exatamente a mesma imagem, agora ao lado da mesma CG, preservada como se o tempo tivesse passado devagar.
Enquanto muitos trocaram de moto diversas vezes, Dorival fez uma escolha diferente.
Preferiu cuidar. Como ele mesmo resume:
“Eu comprei a moto para usar a moto. Eu precisava da moto, então eu cuidava do que eu tinha.”
E talvez seja justamente por isso que ela permaneceu ao seu lado por quase três décadas.
A mesma moto que buscou peças em Campinas, São Paulo e Piracicaba, que chegou a transportar até um motor de carro em um pequeno baú adaptado, continua estacionada diariamente na oficina, pronta para mais um dia de trabalho.
Não virou peça de coleção. Virou parte da família.